Resgatando a mulher selvagem…


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Por Adriana Mantana

Entrando em contato com a mulher selvagem…

Toda mulher tem dentro de si um desejo, uma sensação de se conectar.

Em uma sociedade em que precisamos trabalhar, estudar e muitas vezes ser a provedora do lar, não sobra tempo para nós. Então as coisas começam a não caminhar com tanta suavidade. O que para nossas ancestrais era uma coisa comum, hoje não temos TEMPO para isto. Parar sentir, silenciar, intuir, perceber a natureza, se conectar com a lua. Nossas ancestrais praticavam o autoconhecimento através da lua.

Hoje temos internet e muita praticidade, mas o que fazemos com tudo isto?

Qual a dedicação temos conosco?

Qual o respeito pelo ciclo menstrual?

Mulheres são mulheres, não adianta querer ser um homem, as forças são diferentes. O homem tem a força da guerra, agressividade, são fortes e utilizam a força física. Já a mulher tem a força, através do silêncio, do sentir, do harmonizar e acolher. Trabalhe com o que é biologicamente, homens são homens e mulheres são mulheres, independente da opção sexual, não estou praticando nenhum tipo de preconceito, os hormônios são diferentes. Queira ser o que você nasceu para ser, pratique o sagrado feminino, busque a sua sacralidade.

 

Gostei muito desta resenha que segue abaixo, veja a mulher selvagem, através da percepção de um homem.

EM BUSCA DA MULHER SELVAGEM
Ricardo Kelmer – blogdokelmer.com

Foi Marília quem me emprestou esse livro, em 2002, quando eu já andava curioso a seu respeito. Depois Rafaela me deu um de presente. E depois ganhei a versão digital. Ou seja, esse livro queria mesmo vir pra mim, e foram as mulheres que o trouxeram. Li e fiquei encantado. Nas páginas de “Mulheres que correm com os lobos” estava o que eu intuía sobre as mulheres e a relação entre os gêneros mas ainda não sabia verbalizar. O livro me chegou numa fase em que eu já lidava melhor com meus aspectos femininos e, por isso, me identifiquei profundamente com ele e com a histórica questão da domesticação da mulher.

Terminei a leitura sentindo em minha alma uma avalanche de ideias e sensações mas sentindo também que levaria um bom tempo até que tudo aquilo assentasse e eu conseguisse organizar meus pensamentos e reagrupar as verdades que, embora não fossem tão novas pra mim, agora eram obviamente, estupidamente claras. Através de mitos e lendas coletados em várias partes do mundo, a autora mostra como sobreviveu, mesmo escondida sob muitas formas simbólicas, o arquétipo do feminino selvagem, o modelo da mulher conectada com os ritmos e valores da Natureza e de sua própria natureza, o modelo da mulher livre. Um livro belíssimo, que tem ajudado muitas mulheres a resgatar o que séculos de repressão lhes usurparam: o direito de serem o que quiserem. Um livro que fala essencialmente do feminino mas também fala de homens e deveria ser lido pelos dois.

A mim, o livro de Clarissa me fez especialmente entender que, em minha vida, desde cedo me fascinou o arquétipo do feminino selvagem. Por causa disso sempre me atraíram as mulheres de iniciativa, as desafiadoras da cultura machista, as que recusavam o modelito cristão de mulher virtuosa, as que se rebelavam contra regras sociais idiotas, convenções sexuais sem sentido, modelos de relacionamento baseados na posse do outro e tudo que objetivava manter a mulher submissa e sob controle. Era por ela que eu sempre me apaixonava, essa mulher que era quem ela mesma desejava ser e não a mulher que a família, religião e sociedade impunham que ela fosse.

Esse livro me trouxe uma das mais importantes revelações que já tive, que a mulher da minha vida é e sempre foi uma só: a mulher livre. E que foi essa mulher que, mesmo sem saber, eu sempre busquei em minhas relações, ainda que a temesse. E que foi por ela que abandonei muitas mulheres, ao intuir, sem saber explicar nem pra mim, que eu jamais poderia ser totalmente eu ao lado de uma mulher domesticada.

Porém, como aceitar e amar essa mulher liberta sem, antes, eu mesmo me libertar do que também me limitava? Pra merecê-la, eu também precisava me libertar de vez de qualquer pretensão de controlá-la, esse resquício maldito de minha herança cultural-religiosa.

A ficha caiu após ler “Mulheres que correm com os lobos”: esse livro me ajudou a assimilar o feminino em meu ser e foi isso, exatamente isso que me fez deixar de temê-lo, me fez mais selvagem no sentido psicológico-arquetípico, me fez mais livre. O efeito prático disso tudo é que agora eu finalmente estava aberto pra relações mais igualitárias e, principalmente, pra receber a mulher livre que tanto buscava em minhas relações. Então ela veio, enfim ela pôde vir. Veio linda, plena e radiante, e eu vi em seus olhos o reflexo dela própria em mim. E desde então continua vindo, e eu e ela somos lobos que cruzam florestas atraindo-se pela fome louca que temos um do outro.

E eu sei que ela sempre virá, porque esse amor que trazemos em nós, geralmente incompreendido por não erguer cercas de posse e jaulas de controle, é o amor que aprendemos a respeitar em nossa própria natureza e que nos alimenta de alegria e liberdade a alma selvagem.

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Adriana Mantana


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